domingo, setembro 11, 2011
A Mudança
A vida neste nosso mundo está a mudar, drasticamente, e é necessário acordar para essa realidade. Isso leva-me a partilhar isto com quem quer que seja, divirtam-se e assistam ao nascimento de um Novo Mundo:
Intro para o filme "The Shift"
;-)
domingo, fevereiro 15, 2009
(Des) espero-te

(Des) espero-te,
sentado naquele banco,
a olhar o mundo,
a ver as gentes,
a sentir o sol,
A vida abre-se,
à minha frente.
Vejo-te como antes,
num desespero da alma.
Não quero perder-te,
tenho medo de perder-te,
de não saber amar-te,
de não saber dizer-te,
de não saber sentir-te,
tenho medo!
Há um pouco de mim,
em cada palavra que escrevo,
um resto de passado,
em cada gesto,
em cada momento,
tenho medo,
de sentir-te,
de dizer-te,
de amar-te,
tenho medo!
domingo, outubro 05, 2008
Faz de conta...

Faz de conta
Que vivemos bem
Que somos educados
Que somos felizes
Que somos bonitos
Que somos simpáticos
Que somos solidários
Que somos inteligentes
Que somos fortes
Que somos nós
Que não vemos os outros
Que não nos vêem a nós
Que falamos bem
Que amamos
Que somos amados
Faz de conta, que vivo
Num mundo a sério.
20/05/08
sexta-feira, março 28, 2008
Como será?
Vivo num país à beira da ruptura. As recentes notícias revelam o que de mais negro e sombrio temos estado a construir enquanto sociedade, civilizada, no limiar do século XXI. O que, ao longo de muitas gerações, foi sendo conquistado, de liberdade, de solidariedade, de tudo aquilo que consideramos os inalienáveis direitos do ser humano, aparenta ruir, como um frágil castelo de areia, frente a uma implacável onda de individualismo, de ganância, de desprezo cruel pelos valores do outro, meu semelhante.
Que dizer da solidão avassaladora, que nos enche o peito, num tempo em que estar com o mundo é tão fácil quanto pressionar um simples botão. Tenho de me isolar para estar em contacto com o mundo!
O mundo! Nunca foi tão vasto, de horizontes tão largos; nunca foi tão gritante a pobreza dos homens, porque se vê!
Nunca foi tão triste a miséria dos muitos, porque se compara com a obscenidade do luxo dos poucos.
Será que somo mesmo filhos do que roubou a caça aos outros dois que, tendo-a apanhado, a partilhavam? Se assim é, será que temos futuro?
É uma questão interessante!
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
quinta-feira, junho 02, 2005
Portugal, este país onde habito...
É com espanto, mas nunca com resignação, que descubro, no Portugal de Eça de Queiroz, o de 1871, os mesmos vícios, as mesmas vicissitudes, deste país onde habito.
É a política, a educação, são os patrões, os sindicatos, o povo, a justiça, a economia, a Europa, o défice (qual mostrengo, que assombra o Cabo da Europa, que não conseguimos alcançar). O país fundado na notícia de ocasião que preenche o dia - que outras preocupações existirão, mas quem vier a seguir que resolva; é este estar sem querer, este existir sem pretender, estas dicotomias improdutivas no pensamento de quem gere a coisa pública, esta miséria que tudo engole.
Este é o povo que conseguiu fazer sorrir Abril, que plantou flores nos canos estéreis das espingardas, que viveu a ditadura, e sobreviveu.
Ora leiam...!
( Portugal)
...
Portugal, não tenho princípios, ou não tenho fé nos seus princípios, não pode propriamente ter costumes.
Fomos outr´ora o povo do caldo da portaria, das procissões, da navalha e da taberna. Comprehendeu-se que esta situação era um aviltamento da dignidade humana: e fizemos muitas revoluções para sahir d´ella. Ficamos exactamente em condições identicas. O caldo da portaria não acabou. Não é já como outr´ora uma multidão pittoresca de mendigos, beatos, ciganos, ladrões, caceteiros, que o vae buscar alegremente, ao meio dia, cantando o Bemdito; é uma classe inteira que vive d´elle, de chapéo alto e paletot.
Este caldo é o Estado. Toda a nação vive do Estado. Logo desde os primeiros exames do lyceu a mocidade vê n´elle o seu repouso e a garantia do seu futuro. A classe ecclesiastica já não é recrutada pelo impulso de uma crença; é uma multidão desoccupada que quer viver á custa do Estado. A vida militar não é carreira; é uma ociosidade organisada por conta do Estado. Os proprietarios procuram viver á custa do Estado, vindo a ser deputados a 2$500 réis por dia. A própria industria faz-se proteccionar pelo Estado e trabalha sobretudo em vista do Estado. A imprensa até certo ponto vive também do Estado. A sciencia depende do Estado. O Estado é a esperança das famílias pobres e das casas arruinadas. Ora como o Estado, pobre, paga pobremente, e ninguém se pode libertar da sua tutela para ir para a industria ou para o commercio, esta situação perpetua-se de paes a filhos como uma fatalidade.
Resulta uma pobreza geral. Com o seu ordenado ninguém pode accumular, poucos se podem equilibrar. D´ahi o recurso perpetuo para a agiotagem; e a divida, a lettra protestada, como elementos regulares da vida. Por outro lado o commercio soffre d´esta pobreza da burocracia, e fica elle mesmo na alternativa de recorrer tambem ao Estado ou de cahir no proletariado. A agricultura, sem recursos, sem progresso, não sabendo fazer valer a terra, arqueija á beira da pobreza e termina sempre recorrendo ao Estado.
Tudo é pobre: a preoccupação de todos é o pão de cada dia.
Esta pobreza geral produz um aviltamento na dignidade. Todos vivem na dependencia: nunca temos por isso a attitude da nossa consciencia, temos a attitude do nosso interesse.
Serve-se, não quem se respeita, mas quem se vê no poder. Um governador civil dizia: - «É boa! dizem que sou successivamente regenerador, historico, reformista!... Eu nunca quiz ser senão - governador civil!» Este homem tinha razão, porque mudar do sr. Fontes para o sr. Braamcamp não é mudar de partido; - ambos aquelles cavalheiros são monarchicos e constitucionaes e catholicos. A desgraça é que, se em Portugal existissem partidos republicanos, monarchicos, socialistas, aquelle homem, assim como fôra sucessivamente reformista, historico e regenerador, - isto é, as cousas mais eguaes, seria republicano, monarchico e socialista, - isto é, as cousas mais contradictorias.
...
in As Farpas, junho 1871
sexta-feira, maio 27, 2005
Algures num comboio sobre o tejo - Poema ao vento
Tu que sopras
Nas janelas do meu recato
Tu que sopras
Folhas de Outono em desalinho
Tu que sopras
Murmúrios de gente, em calado desespero
Tu, vento que sopras
quarta-feira, maio 11, 2005
O ser eterno, sem existência
Por cima, o céu
Um rasgo de negro
Repleto de pequenos nadas,
Cintilantes, de luz eterna.
Tão distante, e profunda, é a tua existência,
pequena partícula cósmica.
De onde vieste? Para onde vais?
Perguntas vazias,
tão vazias, quanto vazio é o universo.
Aqui, eu.
Pequena partícula também,
Sem brilho, sem luz, apenas o ser.
O que é já algo!
Queria ser vento, correr as planícies,
afagar o trigo, enrolar-me no sobreiro,
rebolar nas encostas do monte,
envolver-me nos teus cabelos,
carregar no meu seio, os aromas todos
dessa primavera que tarda;
Conhecerá essa migalha do universo,
todas as formas de ser?
Saberá, como são belos os campos, cá em baixo;
Como são frescos os ribeiros;
Como é quente a tarde estival;
E amena a noite.
Como canta a cotovia;
Como voa a andorinha;
Como salta o pardal;
Queria ser isso! E tudo o mais!
Queria ser terra, e mar, e céu, e mundo;
ter-te em mim;
pequeno nada;
de tudo feito, que tudo faz!
O ser eterno, sem existência.
Dedicado a uma partícula, muito especial, que me encontrou quando nada o fazia prever... são assim as partículas deste universo. Dos outros, não sei!
sábado, maio 07, 2005
Jorge Perestrelo
Há no entanto Homens que, pela sua grandeza e capacidade de estar vivos, conseguem transmitir-nos um tal estado de alma, que quase acreditamos, pelo menos momentâneamente, que pertencemos a um outro mundo, que temos uma outra existência, que estamos possuídos pelo seu espírito grandioso, que aquilo de que nos falam é algo de que não podemos alhear-nos, nunca.
Um desses Homens, Jorge Perestrelo, morreu hoje e deixou-me mais pobre!
Não sei se mais alguma vez conseguirei sentir o aperto de coração que senti, ao cruzar-me, por acaso, com os excertos dos seus relatos na TSF. Não sei se alguma vez mais, terei a sensação que afinal o futebol é uma coisa maravilhosa, intensa, que se pode viver e respirar, plena de emoções.
Teria de voltar a ser criança, para poder jogar à bola com os putos da minha rua.
Há Homens que não deviam nunca desaparecer!
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
De volta a casa...
1/07/03
sobre o azul
deito-me e olho
lá no alto passam nuvens
pequenos e grandes farrapos
de cor nenhuma
o vento corre ao seu encalço
saltita, sobre aquele monte
rebola naquela vertente
acelera no vale, verde
e empurra-os
de mansinho
eu... olho
durante muito tempo, olho
quando volto
tenho sobre mim um manto
de azul
azul, sem fim, luminoso
profundo
sexta-feira, outubro 08, 2004
A minha primeira vez
Talvez fosse a vontade, enorme, de calar a voz de dentro - hoje em dia calam-se vozes por qualquer razão - mas apeteceu-me mesmo dizer qualquer coisa, não aquelas coisas banais, algo de extraordinário, algo de profundamente espantoso, daquelas coisas que só se dizem uma vez e é para todo o sempre. No entanto, de momento, não me ocorre rigorosamente nada....!
Fico-me por aqui.
